Um dia de atleta no Guarani – MG

Eram seis horas da manhã de sábado, dia 23 de setembro de 2017, e meu celular exercia sua função de despertador. Nem durante a semana eu acordo tão cedo assim! Mas dessa vez era por um motivo muito especial. Aquele seria meu dia de atleta. Um dia de pisar no gramado não como torcedora, não como jornalista, nem como fotógrafa – mas como jogadora.

Quando recebi o convite para participar desse evento em comemoração aos 87 anos do Guarani de Divinópolis, nem pensei duas vezes. Eu me inscrevi imediatamente. Aquela era uma oportunidade única de sentir na pele como é a rotina de um jogador profissional.

Aliás, ser jogador é algo que eu nunca cogitei. Nunca tinha jogado, nunca tinha calçado uma chuteira, sabia que seria a pior entre os presentes. Mas mesmo assim fui. Fui porque queria vivenciar isso ao lado de outros torcedores e em um time que amo.

Então vamos para a Terra do Divino? Estádio Waldemar Teixeira de Faria, o Farião: lá estava eu e vários outros bugrinos, preparados para o desafio de ser atleta por um dia.

A sócia torcedora número 1

No dia 20 de setembro de 2016, aniversário do time, foi lançado o Avante Bugre, o tão esperado programa de sócio torcedor do Guarani. Na época, o time desafiou os seguidores nas redes sociais: quem seria o primeiro inscrito? 23h45 do dia 19 e eu estava lá no site dando F5 loucamente como se aquilo fosse fazer o tempo passar mais rápido. Mas parecia que o efeito era o inverso e cada segundo demorava séculos.

Confesso que meu objetivo nem era ser a primeira inscrita, mas sim ser uma inscrita. Sou uma pessoa bem ansiosa e não ia conseguir dormir enquanto não fizesse o cadastro. Queria ter uma forma de ajudar o time e também me ajudar, já que não precisaria mais enfrentar filas para comprar ingressos para os jogos. Por morar e trabalhar em outra cidade, quase sempre chego um pouco atrasada no estádio.

Mas acabou que fiquei sendo a primeira inscrita, a sócia torcedora número 1. Desde então, assumi o Guarani como responsabilidade. Faço de tudo para participar de todos os eventos relacionados ao time, independente da relevância.

E agora, um ano depois, o Guarani reuniu parte desses torcedores inscritos, patrocinadores e conselheiros para uma experiência diferente. Uma bela forma de comemoração!

Um dia de atleta e muitos aprendizados

Tudo começou com uma palestra. O presidente do time, Vinícius Morais falou sobre a história do time, o lançamento do sócio torcedor Avante Bugre e algumas curiosidades, como critérios para contratação. Depois o Marco Túlio, coordenador da base, explicou as atividades que fazem parte da rotina de um jogador profissional e o nosso cronograma do dia. Depois das apresentações, descemos, pegamos o uniforme e fomos para os vestiários. Foi quando descobri que não era a única moça do pedaço: para a minha alegria tinha mais uma lá, representando um dos patrocinadores.

Já no gramado verdíssimo do Farião, começamos pelo aquecimento. Depois fizemos grupos de cinco jogadores para uma atividade conhecida como “bobinho”. Forma-se um quadrado, cada jogador em uma lateral e um no meio, com o colete. Os jogadores das laterais trocam passes e quem está no meio tenta pegar a bola. Era basicamente um “peru” com os pés. Eu gostei tanto dessa parte que queria poder fazer todos os dias.

Em seguida fomos divididos em três grupos, sendo dois times jogando em um campo compacto e um atuando como “parede”. Essa parede é formada por jogadores que ficam nas laterais e auxiliam o time que está com a posse de bola. Como não estávamos acostumados, muitos esqueciam das “paredes”, mas no fim todo mundo já tinha pegado a manha.

Por fim, fomos divididos em dois times para o coletivo. Foi a parte que tive mais dificuldade por não ter o costume de dominar bola e fazer passes, mas foi divertido. O jogo terminou empatado em 1 a 1.

Teve até espaço para entrevistas! Uma delas foi para a TV Candidés, em reportagem produzida pelo Grupo Gabiroba para o Programa Toque Final.

Foram poucas horas alí, com essa turma, mas que me renderam grandes aprendizados. Aliás, isso é algo que o Guarani tem feito desde que entrou em minha vida: ensinar. Esse time me fez entender a realidade de uma equipe do interior, me fez ver o futebol de uma forma diferente. Foi uma experiência única que, com certeza, vou lembrar para sempre!

Fotos: Marcelo Lopes

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