Corações feridos: gêmeas que vão te comover

Eu não dava nada por Corações Feridos, de Louisa Reid. Foi um dos livros que adquiri para participar daquelas promoções “três por dez” e deixei a obra de lado por muito tempo. Um dia emprestei o livro para um amigo (o Dime, autor de Detalhes de um Crime), ele leu, recomendou, segui o conselho e aqui estou.

Geralmente falo sobre os motivos para ler uma obra. Hoje vou fazer diferente e vou citar as razões para não colocar as mãos em “Corações Feridos”. Se você não gosta de história triste, não leia. Se você está se sentindo pra baixo, não leia. Se você é um fanático religioso, não leia. Se você quer ter esperanças na humanidade, não leia. Essa obra vai te deixar com o que eles chamam por aí de “ressaca literária”. Essa história vai entrar na sua cabeça e abalar seus sentimentos – se você for minimamente humano.

Pesquisando por esse livro, descobri se tratar de um thriller psicológico. Eu nunca tinha visto esse termo, mas tudo tem uma hora para aprender, não é mesmo? Obras desse gênero causam uma tensão no leitor. O autor te coloca dentro da história e você se sente como um personagem. Acho que toda obra literária bem feita gera um sentimento de empatia no leitor, mas, nesse caso, é tudo muito mais intenso.

Imagine uma vida onde sua casa é um belo exemplo de inferno. Sua única escapatória é a escola, mas em pouco tempo isso é tirado de você. Encontrar amigos? Só se for às escondidas. Sua avó, que te proporcionava alegrias, morreu. E sua irmã, que era a única companhia, também não está mais entre os vivos. Existe final feliz?

Corações feridos, de Louisa Reid, resenha do livro (Foto Tatiana Santos)
É uma história comovente! (Foto: Tatiana Santos)

Duas garotas, dois corações feridos

A obra em questão conta a história de duas irmâs gêmeas de 16 anos. Uma é linda, maravilhosa, chama a atenção de todos. A outra tem o rosto deformado por causa de uma síndrome, vive se escondendo e mal se manifesta. Apesar das diferenças, elas são unidas, são cúmplices, se completam.

Elas são filhas de um líder religioso e o mundo lá fora não imagina as coisas que acontecem dentro daquela casa paroquial. Isso porque ele tem toda aquela imagem de pessoa exemplar, amorosa e “de Deus”. Mas, longe da “platéia”, ele é carrasco, agride as meninas fisicamente e psicologicamente, deixa para elas só os restos de roupas e comidas e tenta mantê-las longe de qualquer contato social. Tudo fica ainda pior quando ele bebe. Mãe? Até que ela existe, mas nada faz para tirar as filhas desse inferno chamado “lar”.

Mas acontece que ao atingir determinada idade as meninas precisam ir para a escola. Não dá pra ficar a vida inteira estudando em casa, não é mesmo? E aí está uma luz para elas: finalmente a liberdade. Uma faz amizades e até arruma um namorado (escondido dos pais, claro). A outra continua na dela e acobertando a irmã. Mas uma hora isso vai dar muito errado: quando uma delas morre.

O livro Corações Feridos é em primeira pessoa com alternância: uma irmã narra o presente e a outra narra o passado. E desde o começo do livro o leitor vive em dois tempos simultâneos. Em cada capítulo percebe-se muito os sentimentos mais profundos de cada uma. Aos poucos elas vão dando pistas dos segredos que a família esconde e vamos entendendo o que causou a morte de uma delas.

Corações feridos, de Louisa Reid, resenha do livro (Foto Tatiana Santos)
“Aparências enganam” é uma frase muito clichê, mas resume a história dessas meninas. (Foto: Tatiana Santos)

Uma arte que imita a vida

A minha dor é perceber que tudo pode ser perfeitamente real. Quantas pessoas usam a religião como máscara de “bom fiel”, mas, nos bastidores, são pessoas perversas? Quantos atrocidades são cometidas por aí em nome de uma crença? Quantas pessoas não acreditavam em uma denúncia de abusos por se tratar de uma pessoa “de Deus”?

Mais do que uma história triste com uma gota de esperança de um final feliz, “Corações Feridos” nos faz refletir.

REID, Louisa. Corações Feridos. Ribeirão Preto: Novo Conceito, 2013. 255 p. Onde comprar?

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